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1º CONFERÊNCIA DE VALOR APAH

 
A APAH promoveu, no passado dia 24 e 25 de março, no Hotel Montebelo Vista Alegre em Ílhavo, a 1.ª Conferência de VALOR APAH dedicada ao tema “Modelos de Negócio e Contratação – Oportunidades e Desafios”, na qual marcaram presença representantes de 70% dos conselhos de administração dos hospitais portugueses.
Esta foi a primeira Conferência de um ciclo de três, que nascem de uma aposta na organização de iniciativas que promovam a criação de valor através da análise dos tópicos mais atuais que vão determinar o futuro dos hospitais e dos sistemas de saúde. Direcionada a todos os profissionais ligados à gestão em saúde, esta iniciativa visa fomentar a partilha de boas práticas e a procura de novas abordagens que permitam enfrentar os desafios presentes e futuros e a consolidação de pontes e sinergias com todos os parceiros do sector, tendo em vista uma melhoria da qualidade e a excelência dos resultados em saúde, contribuindo para um ciclo virtuoso de riqueza e crescimento em Portugal.
 

O evento foi presidido por Fernando Silva, administrador hospitalar da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, E.P.E., tendo marcado presença o Secretário de Estado da Saúde – Dr. Manuel Delgado e o Presidente da European Association of Hospital Managers (EAHM) - Gerry O´Dwyer. A audiência, com mais de 130 participantes, contou com presidentes e membros de conselhos de administração de hospitais nacionais, diretores executivos de agrupamentos de centros de saúde, administradores e gestores hospitalares, docentes e alunos de administração hospitalar, agentes económicos e demais interessados na matéria.

O mote para a jornada de trabalho da 1.ª Conferência VALOR APAH foi dado na APAH TALKS, subordinado a “Como serão os hospitais do futuro?” a cargo de Gabriel Antoja, investigador do Center of Research in Healthcare Innovation da IESE Business School e um dos autores do trabalho feito em colaboração com a Accenture. Para Antoja, “há cada vez há uma evidência maior da relação entre os resultados em saúde e uma melhor experiência do cidadão” no momento em que recebe cuidados médicos.

Por isso, seja por razões financeiras, ou pelos melhores resultados para o doente, Gabriel Antoja defende que “os profissionais de saúde vão envolver-se” cada vez mais “para melhorar a experiência do doente”. O investigador explicou que os dados do estudo foram recolhidos entre 2013 e 2015, tendo como base entrevistas e questionários a vários profissionais do sector e teve como ponto de partida a realidade de dois hospitais concretos, que foram escolhidos por serem uma referência na área: o Hospital Universitário Karolinska, na Suécia, e o Hospital Clínico de Barcelona, em Espanha. O objectivo foi antecipar uma fotografia do que poderá ser um hospital universitário europeu em 2030.

Nos próximos dez anos, veremos como as barreiras entre as especialidades se vão esfumar graças ao uso de novas tecnologias que permitirão, por exemplo, que os cardiologistas possam realizar algumas intervenções sem precisar de um cirurgião”. O especialista antevê que “a organização do hospital incluirá equipas multidisciplinares que atenderão os doentes ao longo de todo o seu circuito assistencial, para eliminar barreiras entre departamentos do hospital”. Uma das novidades está, também, no aparecimento de novas profissões como os “médicos-engenheiros” e os chamados “conselheiros de genética”, os quais ajudarão a escolher os novos exames ao nosso DNA que poderão ser úteis para atuar de forma preventiva. Os chamados “gestores de caso” vão ser uma figura fundamental, com a responsabilidade de coordenar o percurso do doente, desde o centro de saúde ao hospital.

Para Antoja, a relação entre os hospitais e os centros de saúde é uma das chaves para o sucesso da mudança rumo ao hospital do futuro. A ideia é que não continue a haver uma divisão entre estes dois tipos de cuidados. “Os líderes clínicos dos hospitais trabalharão de forma próxima com os profissionais dos centros de saúde para redesenhar os circuitos”. O papel do centro de saúde, defende, tem de deixar de ser apenas o de filtrar a chegada de doentes aos serviços de urgência. Os cuidados primários devem ser “uma ponte que facilite a entrada no hospital pela porta mais adequada” e as novas tecnologias serão fundamentais neste processo.

As conclusões do estudo apontam no sentido de que os hospitais reduzam a sua dimensão no futuro. Questionado sobre o facto de em Portugal, nos últimos anos, o caminho ter sido no sentido de criar grandes centros hospitalares, Antoja alerta que um hospital mais pequeno não significa uma redução do edifício ou do número de profissionais. O que o investigador prevê assenta numa redução do número de camas e na capacidade de trabalhar em rede com outras unidades hospitalares, centros de saúde ou com o sector social.

O segundo dia de trabalho da Conferência foi composto por quatro sessões. A primeira analisou a “Oportunidade: A dinamização da investigação em saúde” e esteve a cargo de  Emília Monteiro, professora da NOVA Medical School e membro do Steering Committee da ECRIN-ERIC, evidenciando a necessidade de evolução e dinamização da investigação em saúde, tendo realçado a importância dos administradores hospitalares na liderança dessa dinamização, nomeadamente através de uma lógica de desenvolvimento de uma cultura de investigação nos hospitais.

Para Alexandre Lourenço “os hospitais têm que profissionalizar esta área de atividade, de forma a responder às solicitações das empresas farmacêuticas e de dispositivos médicos no desenvolvimento de ensaios promovidos por estas, mas também em estudos de iniciativa do investigador. Trata-se de uma área de elevado potencial económico para os hospitais portugueses e para as regiões onde estão inseridos”,  tendo adiantado que a APAH e a Nova Medical School, com o apoio da Apifarma, vão lançar, a partir do próximo mês de maio, o Programa Avançado para a Liderança e Administração em Investigação em Saúde (PALAIS). 

Nas sessões seguintes discutiram-se os desafios associados aos “Modelos para a contratação da inovação tecnológica baseada em valor” e  aos “Novos modelos de contratação com gestão partilhada em saúde”.  As palestras estiverm a a cargo de  Wil van Harten, CEO do Rijnstate Hospital na Holanda e Herbet Stähr Head of Portfolio Development and Marketing, Enterprise Services and Solutions, Siemens Healthineers respetivamente. 

Segundo Alexandre Lourenço, as novas parcerias podem ser muito úteis para a melhoria da qualidade da prestação aos doentes, nomeadamente num contexto em que os hospitais têm grandes limitações do ponto de vista de capital para investimento. “Os hospitais têm muito equipamento que está obsoleto e que precisa de renovação urgente, pois, coloca em risco a qualidade e a segurança dos cuidados prestados. É, portanto, necessário um forte investimento nos hospitais para substituir ou atualizar este equipamento”. Muitos administradores hospitalares presentes no evento afirmaram que, em muitos casos, apenas procedem à substituição do que é mais premente.

É, assim, sentida a necessidade prática de parcerias mais alargadas (de 5 a 10 anos) que permitão a colocação, manutenção e operação de equipamento moderno, mantendo a sua atualização pelo período de vigência do contrato, sendo o mesmo amortizado ao longo deste período em que os hospitais não necessitarão de capital de investimento. 

Na conferência, abordou-se, também, a necessidade de melhoria das competências da gestão intermédia dos hospitais na área da contratação pública, tal como de um trabalho mais aprofundado entre os hospitais, os auditores e as entidades respetivas para encontrar as melhores soluções para os hospitais avançarem para este tipo de contratos. Para isso, mencionou Alexandre Lourenço, “também é necessário existir junto da tutela – Ministério da Saúde e Ministério das Finanças – maior celeridade na aprovação de encargos que abranjam mais do que um ano civil (plurianuais)”.

Este tipo de contratos abrange não só as áreas típicas da radiologia, mas também outras em que já existe alguma tradição, como, por exemplo, a limpeza, a lavandaria, a alimentação e, até do ponto de vista dos sistemas de informação, equipamentos e prestações de cuidados de saúde.

Junto do Ministério da Saúde tem existido a abertura para aliviar os prazos e encontrar as melhores soluções que respondam às necessidades dos hospitais e do erário público. Estamos confiantes que esta estratégia vai-nos levar a proporcionar aos doentes e aos profissionais de saúde melhores condições de trabalho, equipamentos modernos e também reduzir os custos operacionais”, referiu.

Por último, foi explorada  a “Oportunidade: A era digital e da informação em saúde” por Liz Thiebe, CEO do Rumailah Hospital no Qatar.  Liz realçou, com exemplos concretos de destintas realidades culturais e geográficas, a importância de assegurar a melhor informação, as corretas infraestruturas tecnológicas e os correspondentes incentivos para que se garantam sistemas de saúde baseados no conhecimento e que, consequentemente, promovam uma melhoria do processo de decisão clínica e de gestão e na necessidade de assegurar o envolvimento do cidadão.

O painel de comentadores desta sessão reforçou esta prespetiva, dando enfoque aos desafios da efetiva articulação e integração dos sistemas, do investimento em plataformas tecnológicas que garantam a segurança e confidencialidade, do tratamento e da qualidade dos dados, por forma a potenciar a geração de conhecimento e do big data e da necessidade de estimular a incorporação das novas tecnologias criando novos modelos de valor na prestação de cuidados. 

Em conclusão, na 1ª CONFERÊNCIA de VALOR APAH, tivemos a oportunidade de analisar como será o Hospital do Futuro, como deve ser assegurada a liderança da investigação em saúde por parte dos decisores hospitalares e como a era digital e o conhecimento em saúde é hoje uma oportunidade que deve ser alavanca para a mudança do modelo de prestação de cuidados. Em simultâneo discutimos de que forma os modelos para a contratação baseada em valor e em partilha de risco, devem ser assumidos enquanto pilares fundamentais para a sustentabilidade financeira e para a incorporação da inovação e atualização do parque tecnológico existente nos nossos hospitais e serviços de saúde.